—De certo.
—Pois, então, fallaremos.
—Não que é preciso decidir-se a cousa já.
—Porquê?
—Se disseres que sim, a pequena ha de vir para tua casa já; quero que seja educada por tua irmã, e que se afaça comtigo, para te ganhar amizade, e o amor depois virá.
—Qual amor, nem qual carapuça! Ella póde lá ganhar-me amor!... Eu cá de mim, se casar, o que quero é uma herdeira, porque tenho para ahi uns sobrinhos, que se penteam muito, e que não querem estar ao mostrador a medir covados de panno. Ha de me custar se elles vierem metter a mão no que me custou a ganhar com honra e trabalho. Um d'elles metteu-se-lhe na cabeça ir a Coimbra estudar para doutor!... Que tal está o catavento! Meus paes foram lavradores, eu sou negociante, e quem houver de ficar com a minha casa ha de vir para aqui. Quando penso n'isto, Leonardo, parece-me que me fazia conta casar!... E, se eu tivesse um filho!... isso então, digo-te que era ouro sobre azul! Se não fosse o medo, que tenho ás bôcas do mundo, não engeitava aquelle rapagão da Thereza...
—É verdade, que fizestes á Thereza?
—Puz-lhe um estabelecimento de castanhas assadas na Ribeira. O diabo da moça piscava o ôlho ao caixeiro, e pul-a fóra de casa. Eu cá poucas vergonhas de portas a dentro não as quero.
—Tens razão; mas isso do filho é cousa muito natural...
—Ah! é verdade; isto do filho acho eu que é cousa muita natural; mas dizias tu que á Rosinha...