—Viria para a tua companhia, e aos treze annos, ou mais cedo, com licença do bispo, casas com ella...

—Homem... isto é uma carta tirada da baralha... Está dito, se a cousa não dér de si, caso com a tua filha.

—Se a cousa não dér de si... dizes tu; que quer isso dizer?

—Sim, se não houver entrementes cousa que desarranje a minha saúde ou a d'ella...

—Está visto, não é preciso tirar isso como condição.

Rosa Guilhermina veio para casa do senhor Antonio José da Silva.

O noivo predestinado affeiçoou-se á pequena com toda a effusão paterna. Prodigalisava-lhe carinhos, que a menina recebia com indifferente innocencia, mas com certo aborrecimento intimo, e até nojo da sua grande cara, cujas belfas eram vermelhas como duas folhas de parra de moscatel, no outono.

Feitos os treze annos de Rosa, o negociante sentiu abrirem-se-lhe as valvulas do coração para lhe verterem nas veias um sangue mais quente. Não era um fino amor o seu; mas era um amor que lhe afinava a voz melodiosa de meiguices, que a pequena recebia sempre com tregeitos de enfastiada.

A affeição não correspondida reagiu.

O coração, atufado pelos tecidos cellulares, do obeso amante, esperneou nas cavidades do peito respectivo, e veio á superfície dos acontecimentos com o ideal d'um Antony, com os ciumes d'um Othello, e com a paixão escandecida d'um Mamfredo de cuecas, como tivemos o dissabor de vêl-o no principio d'este capitulo.