Marianna não podia comprehender as sahidas frequentes de Luiz, deixando-a só n'uma hospedaria! Não se queixava para não ser, talvez, injusta com as abstracções de seu marido. Suspeitou um passageiro namoro com alguma madrilense d'entre tantas tão seductoras, e cujo garbo ella não podia invejar. Por necessidade de conviver, relacionou-se com uma familia portugueza, hospedada no mesmo hotel. Fugia de revelar os seus pezares; mas uma das senhoras portuguezas adivinhou-lh'os. O marido d'esta sabia quaes eram as distracções de Luiz da Cunha. O rompimento da escriptura era sabido de todos. O amante de Carlota era apontado. Só Marianna ignorava o que em Madrid era materia de ociosa analyse, até ao momento em que a senhora portugueza lhe aclarou o segredo das frequentes sahidas.
Marianna adoeceu. Luiz suspeitou a inutilidade dos seus cuidados em esconder de sua mulher o escandalo, que dava a todo o mundo, galardoando-se d'elle, e guardando-se apenas d'ella.
Na incerteza, convidou carinhosamente Marianna a continuarem a sua viagem. A desgraçada, apegando-se{129} ao derradeiro fio da esperança, imaginou que a dançarina ficaria em Madrid.
A ancia de sahir restabeleceu-a, e partiram; mas, ao dar o ultimo adeus á dama portugueza, disse-lhe esta ao ouvido:
—Se vão para Paris, saiba minha amiga, que a dançarina já para lá partiu ha dous dias.
—Não vamos para Paris...—dizia, depois, Marianna a seu marido.
—Porque, minha filha?
—Porque receio a epidemia.
—Sou informado de que já não ha peste em Paris.