—É uma escada de corda que sobe ao segundo andar d'aquella casa.

—E sabe se elle faz uso d'essa escada?!

—Ha quinze noites seguidas que sobe ás duas horas da noite e desce ás quatro.

—O rapaz é capaz de quebrar uma perna!

—E eu receio que o pae da rapariga seja capaz de lh'as quebrar ambas.

—N'esse caso, encarrego-o de o reprehender; mas não lhe diga que eu o sei.

—Parece-me que lhe não fará grande abalo ainda que v. ex.ª o saiba. Seu filho não o teme, nem lhe reconhece direitos sobre a liberdade de subir e descer escadas de corda.

—Está enganado.

—Oxalá que sim. Eu de mim reprehendi-o já, e elle respondeu-me se eu fazia o favor de lhe ir segurar a escada para que ella não balançasse quando elle descia, com grave risco das suas pernas, que ficavam enleadas nas cordas transversaes. Aqui está o que é uma zombaria que não parece d'um menino de dezeseis annos! V. ex.ª ri-se? Ora, queira Deus que não chore ainda...

—Pois que quer que eu faça, padre?