—Não duvido que pense—respondeu o padre, solemnisando a resposta com um sorvo de rapé—mas, se v. ex.ª me dá licença, parece-me que seu filho pensa em alguma loucura.
—Essa é boa! O padre que razão tem para tanta severidade com meu filho?
—Que razão tenho? Ora ouça v. ex.ª Seu filho namora a filha do merceeiro que mora ao lado.
—Deixe-se d'isso, padre; o meu filho apenas tem dezeseis annos, e ella ainda é mais nova.
—Isso não é razão, e desculpe-me v. ex.ª a liberdade de replicar. Deus sabe as intenções com que me intrometto em cousas, que não são de todo estranhas ao meu ministerio. Eu quando fallo é com documentos na mão.
—Alguma cartinha de namoro... Isso são rapaziadas sem consequencia.{18}
—Não é cartinha de namoro.
—Algum cordão de cabello, ou alguns suspensorios com a firma do rapaz... Isso faz rir.
—Não é cordão nem suspensorios.
—Então acabe lá com isso, padre! Que é?