—Isso é um miseravel a quem puni com um chicote nos Paulistas.
—Não sei se é um miseravel que puniste com um chicote; mas de certo não é calumniador. Todas as informações confirmam as d'elle. O que será feito d'uma menina que fugiu das Commendadeiras, e abandonaste no primeiro mez, trocando-a pelos amores da celebre Liberata?
—Não fallemos n'isso... Rapaziadas!... Talvez tu não creias que a mulher que me ha de fazer feliz é justamente a que fugiu das Commendadeiras?
—Vejo que é grata aos teus beneficios... Deve morrer de saudades por ti... Estará ella anciosa da tua chegada como Marianna?
—Estás impertinente, Proença!... Que diabo lucras tu em apoquentar-me?! Marianna morreu; não posso dar-lhe vida; se podésse, dava-lh'a... Que mais queres?
—Nada, Luiz... Que hei de eu querer? É que não acho natural a tua felicidade proveniente de uma mulher que perdeste.
—E, se eu te disser que essa mulher me deu obra de quarenta mil cruzados, depois que a abandonei?
—Se é verdade o que dizes, espanta-me que o digas sem cahires n'esse chão fulminado de vergonha!
—Vergonha... de que?
—Ha em ti um defeito de organisação, Luiz!... Tu não és o homem moral. Falta-te a consciencia, o senso-intimo do bem, o caracter da sociabilidade. Não te posso responsabilisar pelos teus crimes. O tigre tem a ferocidade nativa. Tu és uma aberração, Cunha. Digo-te, com as lagrimas nos olhos, que estás perdido, perdido para sempre... Receio muito que encontres um cadafalso no teu caminho.