Previra bem.

Quando, em 1851, voltou, foi recebido com uma gargalhada. Assucena estava vestida com o seu chambre de cassa branca, e sapatos de duraque em fitas cruzadas nas pernas. Eram trastes dos dezoito annos, conservados ainda nos seus bahús de educanda. O padre respondeu com o pasmo e com as lagrimas á gargalhada.

—Porque chora?—disse ella, com tristeza.

—Porque choro? Oh minha filha!... não me pergunte porque choro...

—Tambem eu chorei, meu amigo, quando me disseram que o desgraçado tinha fome...

—Quem?

—Pois, quem!? Luiz da Cunha, esse verme que todos pizam, desde que me mordeu no coração. Se eu lhe perdoei, para que o perseguem? Deixem o infeliz! A deshonrada, a infamada, a martyr, fui eu... Não quero que ninguem me vingue...

—Assucena!...{175}

—Se eu fosse outra, procurava-o na cadêa... Fui eu que o abandonei primeiro... quando o meu padrasto o pôz a ferros... Que me importava a mim a sociedade! Quem me vem consolar das torturas que me tem custado este abandono!?...

—Isto parece incrivel, meu Deus!—exclamava o padre, voltando a face dos olhos abrazados de Assucena.