—Não me fuja, senhor padre Madureira. O senhor não tem culpa nos meus infortunios. Ha de sempre lembrar-me que levou o dinheiro ao desgraçado, e que lhe deu um bocado de pão, quando elle disse que tinha fome... Ouça-me... Onde está Luiz?

—Não sei, senhora.

—Pois eu quero vêl-o para perdoar-lhe...

—O seu perdão não melhora os infortunios d'elle. Deus é que perdôa...

—Sim, sim, Deus...

Assucena fugira da sala impetuosamente bradando: «Deus! Deus!» Madureira seguiu-a, e encontrou-a no seu quarto de joelhos, com os labios collados no pavimento, diante do oratorio.

Levantou-a, e viu-lhe os olhos embaciados d'aquella nevoa cinzenta da gôta coral. Sentou-a ao pé de si, e disse-lhe com voz tremula de compuncção:

—Minha filha... Venha comigo para Lisboa...

—Deus me livre! Elle ha de aqui vir ter.

—Luiz da Cunha?