[CONCLUSÃO.]
São 24 de Setembro de 1853.
É meia noite.
Assucena pergunta ao egresso inseparavel:
—Que barulho é esse que fazem lá dentro?!
—Já disse a v. exc.ª que os caseiros, sabendo que uma quadrilha de ladrões apparecêra ao anoitecer na freguezia de S. Vicente, recearam que esta casa seja atacada, porque dizem lá por fóra que vive aqui uma senhora muito rica.
—Eu muito rica! Já o fui... agora não tenho nada...
—Pois sim; mas os ladrões não se persuadem d'isso, e quem sabe se virão cá? Os caseiros, á cautella, chamaram gente, e tratam de se pôr em defeza no caso que elles ataquem. V. ex.ª ainda que ouça tiros não tenha medo.
—Mas de que serve matal-os?! Se quer, eu vou dizer-lhes que não tenho nada, e elles vão-se embora.
—As cousas não correm assim, minha senhora. Salteadores não acreditam na palavra das damas. O melhor é defender-se cada qual, e eu estou certo que elles, em lhe zunindo o chumbo pelos ouvidos, vão prégar a outra freguezia.