—Justamente.
—E não acha que o pae foi bem morto pelo filho?
—Homem! essa é de cabo de esquadra!{182}
—Se o tio de v. exc.ª, o senhor João da Cunha, foi causa da morte da mulher d'esse homem, não era justo que o filho de tamanho crime fosse o verdugo do pae, a viva reminiscencia d'esses dous cadaveres, o aguilhão constante de remorso que o enlouqueceu?
—O nosso amigo está muito rasoavel nos seus discursos... Essas doutrinas são de bons tempos...
—E o caso é que elle diz bem!—atalhou um fidalgo depondo as cartas do voltarete—o filho foi o instrumento com que a Providencia castigou o pae.
—Então, n'esse caso, muita gente pagou innocentemente—replicou o senhor Bernardo de Malafaia &c.—O tal bastardo foi o açoute da humanidade. Perdeu umas poucas de mulheres, matou outras, esteve prêso nas Antilhas por pirata... fez o diabo.
—E, por fim, é natural que se suicidasse...—disse Luiz da Cunha.
—É o que elle devia ter feito ha muito—concluiu o expositor da scena dos ossos.
O filho de Ricarda projectou ajuntar ás suas futuras obras um monumento a sua mãe.{183}