O egresso seguiu-a.
Ao passarem pelo quinteiro, onde estava o cadaver, com a fogueira do costume ao lado, Assucena perguntou:
—Que é aquillo?!
—É o corpo do ladrão que morreu—disse o padre, querendo afastal-a.
—Quero vêl-o... coitadinho!
—Não veja, senhora D. Assucena... A vista não é agradavel.
—Quero vêl-o... não tenho medo aos mortos...
E forçou a desprendêl-a o braço do padre. Levantou um tição da fogueira, approximou o clarão azulado da face do cadaver,... soltou um grito que se não descreve,{187} nem se imagina, deixou cahir o lume, correu n'um impeto vertiginoso, com as mãos agarradas á cabeça pela quinta abaixo, na ladeira que conduzia ao rio Homem.
É ocioso dizer-vos de quem era o cadaver. O primeiro momento de repouso para Luiz da Cunha principiava alli. Foi abençoada a bala que o salvou do patibulo.
O egresso não podia alcançar Assucena na carreira... Gritou por soccorro, por ella, por Deus, por Maria Santissima. Tinha-a já perdido de vista, quando ouvia o chofre d'um corpo que baqueava na agua.