No Braz Tizana de 24 de Setembro de 1853 lê-se o seguinte:
«Um cadaver.—No rio Homem, acima da ponte de Caldellas, appareceu o cadaver de uma mulher de trinta e seis a quarenta annos; tinha vestido de sêda preta, e parece ser pessoa de consideração.»
No mesmo jornal de 28 do mesmo mez e anno lê-se o seguinte:
«Signaes d'um cadaver.—A mulher que appareceu morta acima da ponte de Caldellas, tinha os signaes seguintes: idade trinta e seis a quarenta annos; cabello e sobre-olho castanho-escuro; bôca e nariz regular; rosto redondo; labios grossos; e no queixo de uma e de outra parte alguns cabellos que mostravam ter sido aparados; um pequeno buço; vestido de seda preta com pouco uso; manga curta; canhões de velludo preto; grade preta no afogado do mesmo vestido, e o corpo forrado de panninho entrançado, côr de flôr de alecrim e vermelho, com tres espartilhos no peito; chale de cachemira vermelho em meio uso, com franja em volta, barra, e ramos pretos; na cabeça um lenço grande azul, com ramos amarellos, de algodão, e barra da mesma côr; saia de morim branco em bom uso com uma estreita renda em volta; saiote de baieta de seda branca com cinco pannos quasi novo, e um pente a fingir tartaruga rendilhado e moderno; camisa de panninho com manga curta. Ainda se não sabe quem seja.»{188}
Lê-se no Portuense de 10 de Novembro de 1853:
«Ha dois mezes annunciaram os jornaes do Porto a apparição de um cadaver de uma senhora n'um dos rios de Braga ou Guimarães. Tornaram os jornaes a fallar n'este cadaver dando as mais minuciosas informações de vestidos, de physionomia, de idade, e até de conjecturas sobre o genero de morte que soffreria a supposta senhora. Seguiu-se a isto um profundo silencio e nem ao menos respirou a noticia de menor acto administrativo na investigação d'este acontecimento. Póde ser que se désse um drama muito mysterioso, com peripecias muito horriveis, mas o publico tem direito a perguntar se a senhora ou mulher foi assassinada ou se se suicidou?»
A resposta ao Portuense é um livro.{189}
FIM