—Não se assuste, visinha—disse o conego, entrando—nós somos os moradores do andar de baixo, e, como ouvissemos gemidos cá em cima, viemos em soccorro, se é que podemos servir de algum bem á pessoa que nos cortou o coração com os seus gemidos.
—Era talvez mêdo dos trovões...—accrescentou D. Perpetua, dando tambem um passo para dentro da porta.
—A menina estava ás escuras?—tornou o conego.
—Sim, senhor.{65}
—E não tem criada?—disse a irmã.
—A criada está a dormir.
—Quer a menina vir comnosco para a nossa casa até ser dia?—disse o conego.
—Vou... se me concedem esse favor—respondeu sem titubear Assucena.
—Pois então, menina—atalhou Perpetua—cubra o meu chaile, ou vá buscar o seu, que está muito frio na escada.
—Eu não posso ter mais frio...—disse a filha da viscondessa.