—Achas que estou muito rica?—disse Liberata, puxando-lhe com meiguice uma orelha.

—As apparencias são d'isso...

—Suppunhas que nenhum outro homem saberia dar-me valor?

—Eu bem sabia que te não faltariam adoradores, Liberata. Para que eu me separasse de ti, foi preciso que eu entrasse n'uma época de demencia, que me dura ha quatro mezes.

—Que tens tu feito ha quatro mezes?

—Tenho envelhecido quarenta annos. Quiz-me oppôr á natureza, fazendo-me pessoa de bem, e perdi o tempo. Acabo de conhecer que era mais feliz quando a minha sociedade eras tu, e os meus cavallos, palavra de honra!

—Com que então eu e os teus cavallos! O diacho da mistura não é nada amavel! Mas conta-me cá... disse-me o conselheiro...

—Qual conselheiro?

—O actual... não sabes quem ficou por teu fiador?

—Pois o conselheiro é o teu amante?