Assucena tossira. D. Perpetua foi pé ante pé escutar. Ouviu-a soluçar. Abriu a porta, e uma fresta da janella. Encontrou-a de joelhos aos pés do leito. Abraçou-se a ella com os olhos humidos das lagrimas, que lhe arrancára seu irmão com as suas, lendo a carta.

—Sabe-se alguma cousa?—exclamou Assucena.

—Vamos lá dentro fallar com meu irmão, minha filha. Elle já veio, e alguma cousa lhe dirá.

—Pois, sim, vamos...—disse, correndo impetuosamente meio vestida.

Entrando na salêta em que o conego almoçava, D. Perpetua fêl-a sentar ao pé da cadeira de seu irmão, em quanto lhe apertava com os ganchos o cabello em desalinho. Bernabé, risonho e com ares de quem vai dar uma boa nova, deu-lhe a sua chavena de chá, escolheu-lhe a torrada mais appetitosa, e os biscoutos mais torrados. Assucena queria rejeitar; mas o conego teimou com brando afago, e conseguiu que ella sorrisse á pertinacia d'um papagaio que, por força, queria participar das sôpas de seu amo na mesma chicara.

Findo o almoço, o conego, por um gesto, fez sahir sua irmã. Assucena não despregava os olhos dos labios d'elle, e achava insoffrivel a demora das informações que lhe promettêra.

—Está anciosa pela resposta, minha menina?

—Estou... Fallou-lhe? Viu-o?

—Não o vi, nem lhe fallei.{75}

—Meu Deus!... então?