—É mais feliz se morrer! Levai-a meu Deus, levai-a para vós!

—Deus não se aconselha, senhora viscondessa. Ella vive, porque Deus o quer. Confiou-m'a, e eu quero encaminhal-a de modo que Deus a chame, quando a gloria do ceo lhe seja dada como um premio de virtudes na terra, amaldiçoada para os anjos.

—Mas... é impossivel recebêl-a em minha casa...

—Eu não quero que a receba em sua casa, minha senhora.{77} Sua filha é como se fosse minha. Debaixo das minhas telhas mora a honra e a abundancia. Assucena não precisa senão chorar, para renascer para a felicidade, que eu prometto dar-lhe. Chorar... chora ella sempre; mas é preciso que o seu coração se abra ás suas lagrimas, para lhe perdoar...

—Eu perdôo-lhe...

—Bem... mas o seu perdão ha de ser-lhe dado a ella, abraçando-a, convencendo-a de que é possivel a sua rehabilitação. E, depois, seja um segredo para todo o mundo a existencia de sua filha em casa do conego Bernabé Trigoso.

—Se eu viver, dar-lhe-hei tudo o que podér para a sua subsistencia.

—Não precisa de nada sua filha. Se v. exc.ª consente que ella seja da minha familia, deixe-me inteiro o cargo de pae. O seu mais precioso sustento é o do espirito. Esse é que eu pedirei a Deus que m'o não escassêe, e talvez o consiga.

—Quer que eu procure minha filha?

—Supplico-lh'o.