No dia immediato, soube o conego que a viscondessa visitava de tarde sua filha. Preparou-se, felicitando-a por ter merecido a Deus tão excellente mãe. Dissipou-lhe os receios, a vergonha, e até o medo que se lhe incutiu, temendo que sua mãe viesse dissuadil-a do seu casamento.

—Sua mãe—dizia o conego—naturalmente não lhe falla em Luiz da Cunha. A menina não deve tambem fallar-lhe n'elle.

—Porque? não ha de elle ser meu marido?

—E que tem isso? O coração de sua mãe é bondoso;{80} mas não se segue que a bondade desvaneça o melindre natural. Calar tal nome é uma prova de respeito com que deve retribuir a generosa amizade de sua mãe. É provavel que ella pouco lhe diga. A sua primeira expansão será de lagrimas. Receba-as que são, talvez, as que salvam a infeliz senhora da morte.

Não se enganára o conego. Rosa Guilhermina fraqueou quando recebia nos braços Assucena. Desmaiada, podéra reputar-se morta, se o coração não batesse violento no seio da consternada filha.

Bernabé, amparando-a tambem, perguntava a Assucena quanto daria por salvar sua mãe.

—Dou a minha vida!—exclamou ella.

—E, se sua mãe lhe pedisse o coração, e não a vida?

—Tudo, tudo, senhor!

—E, se ella lhe pedisse que renunciasse o amor de Luiz da Cunha?