Assucena entrou na sala atordoada por estas palavras.
Bernabé Trigoso esfregava as mãos em ar de jubilo.
—Porque estás assim contente?—perguntou D. Perpetua, alegrando-se tambem de anticipação.
—Contentissimo! Salvei-as ambas! Aqui a grande difficuldade era salvar a filha! Bemdito seja Deus, que nunca me abandonou n'estas difficuldades!
—Pois então? como é que salvaste a menina?
—Puz em luta dous sentimentos fortes. A mãe que morre por sua filha, e o amado que despresa a sua amante. Ha de vencer o mais nobre, que é o primeiro, e tem em seu auxilio um coração ainda puro. Verás, Perpetua; A viscondessa não lhe falla em Luiz da Cunha. Este silencio só de per si é uma pungente accusação á filha. A viscondessa dá indicios d'uma morte proxima. Assucena começa desde já a sentir o remorso de a ter matado. A ancia de salval-a ha de vencer a ancia da saudade. Por fim é a mãe que triumpha, e não triumpharia se viesse lançar-lhe em rosto a deshonra. É Deus que me manda. Creio que salvaria Assucena sem o conselho do medico. Escusavamos, talvez, uma mentira...
—É verdade, Bernabé!—atalhou pungida a senhora D. Perpetua.
—Mas, emfim, Deus sabe as intenções com que a gente mente para tornar menos hediondo o crime do seu semelhante... Não ouves soluçar na sala?
—Ouço... são ambas...
—Bem, bem!