—Escuta, Bernabé...
—Que ouves?
—Palavras... perdão... não me mates... amaldiçoada... É a mãe que falla...
—Bem, bem!
Pouco depois, abriu-se a porta da sala. Bernabé Trigoso, com sua irmã, entraram. Mãe e filha enxugavam{82} as lagrimas. A viscondessa abraçou-se a D. Perpetua, pedindo-lhe que fosse mãe de sua filha, forçando-lhe a mão para aceitar uma bolsa. O conego reparava na luta silenciosa em que sua irmã parecia afflicta e envergonhada. Cheio de affabilidade, tomou da mão de Rosa Guilhermina a bolsa, dizendo:
—Muito obrigado a v. ex.ª
Depois, no patamar da escada entregou-lhe com dignidade a bolsa, solemnisando o acto com estas palavras:
—Aceitei o dinheiro na presença de sua filha para que ella se persuada que é sua mãe que a sustenta, e não se considere em obrigação a estranhos. É a quarta vez, senhora viscondessa, que lhe digo que em minha casa ha abundancia, e independencia, e honra. Espero da sua bondade que me não forçará á repetição, porque me desgosta. Outro assumpto: que vaticina?
—Penso que minha filha se condoeu de mim, e esquecerá o infame... É preciso não a abandonar... Virei, todas as vezes que podér, observar o bom resultado das suas diligencias, senhor conego. Se lhe parecer que é util afastal-a de Lisboa...
—Não convém... A cura ha de operar-se aqui, se Deus me conceder vida, que será breve, porque a velhice e os padecimentos trazem sempre a gente em redor da sepultura...{83}