Bernabé Trigoso reduzira Assucena a um entorpecimento moral, semelhante á indifferença. Eram passados quatro mezes, depois da sua quéda. A infeliz erguia-se sem sensibilidade: parece que perdêra, com a esperança, a memoria do passado. Ainda assim, Bernabé não se atinha ás apparencias. Era necessario sondal-a.

Fallou-lhe em Luiz da Cunha como incidente n'uma conversação sobre o seu passado no collegio. Assucena pedira-lhe que não fallasse em tal homem. Replicára o conego, perguntando-lhe se lhe seria então indifferente a vida ou a morte de Luiz.

—Antes quero que viva.

—Porque o ama ainda?{88}

—Porque me queria vingar...

—Vingar-se!...

—Sim... vingar-me pelo remorso... É impossivel que elle não venha a sentil-o...

—Isso é do coração?

—Do coração, sim, meu querido amigo. Eu tenho hoje odio a esse homem, porque me vejo amada de todas as pessoas, e aborrecida por elle, depois de me perder... Minha mãe que devera despresar-me, ama-me... V. s.ª, e sua irmã adoram-me como se eu fosse d'esta casa... Só elle!... é elle o que me esquece... o que me deixou, desamparada!...