—Não a conheci.

—Conhece a viscondessa?

—Sim, senhor.

—Como está essa pobre mulher? Será ella a minha protectora?!

—Não, senhor.

—De certo, não, por que o marido não a deixa entrar nos fundos do casal. É um grande patife! Tenho pena de não ser poeta! Queria escrever em verso chulo a biographia do filho de uma tal Anna Canastreira do Porto! O responsavel da desgraça de Assucena é elle, que a não quiz remir da deshonra com o valor de duas duzias de pretos dos centenares d'elles, que ainda hoje são empilhados por sua conta no porão dos seus navios. Depois, dizem que sou eu o perverso, o escandaloso, o malvado! Fique n'isto, meu amigo; os homens fizeram isto que sou. Dêem-me uma independencia, e verão que hei de esforçar-me para ser bom. Os homens hão de vir destruir-ma, e eu serei forçado a lutar com elles. Como tenho contra mim o destino, hei de ficar mal na luta desigual, e como vencido, em vez d'um ai, receberei um escarro na cara.

—Experimente o procedimento da honra, não em Portugal, porque os seus precedentes são pessimos para uma rehabilitação. Empregue o capital, que lhe derem, n'um ramo de commercio licito; aspire á independencia sem fausto; habitue-se a uma tranquilla mediocridade;{108} agouro que voltará um dia a Portugal cheio de benevolencia para o seu proximo, e enojado das tristes recordações do que foi.

—Póde ser......................


Os credores de Luiz da Cunha receberam, maravilhados da surpreza, os seus creditos, em uma casa commercial indicada pelas gazetas.