—Fui eu, minha mãe!

A viscondessa, perplexa alguns segundos, abraçou, a chorar, sua filha, exclamando:

—É uma lição de virtude que dás a tua mãe.

—Um segredo eterno, sim?—disse Assucena a tremer.

—Sim... sim... um segredo eterno... Esta virtude recebe-se mal... Ficaste pobre, minha filha?

—Eu nunca posso ser pobre.. O espirito do meu bemfeitor não me desampara...

—E não... Teu padrasto disse que te recebia em casa logo que Luiz da Cunha sahisse de Portugal.

—Não aceito, minha mãe... Não é por odio que lhe tenha... é que preciso viver sósinha para gosar os poucos bens do espirito que tenho... Quem me tirar da solidão, mata-me...

—Mas viverás sósinha com tua mãe, no meu quarto...

—Não posso entrar n'essa casa... Quando me recordo d'ella, cerra-se-me o coração... Não queira que eu soffra mais, minha boa mãe. Se seu marido lhe não prohibe, venha vêr-me muitas vezes; mas considere-me sem familia, sem apêgo a nenhuma cousa do mundo, triste e só, por prazer e por necessidade......................