Dada a resposta, o criado rodou solemnemente nos calcanhares, e deixou o mestre-escola com o nariz n'um orificio da grade, e os olhos n'outros orificios, espreitando os massiços de murtas, que escondiam a fachada da casa.

D'ahi a pouco lobrigou elle entre os arbustos um galhardo homem com uma senhora pelo braço, atravessando vagarosamente para um bosque de aveleiras.

Fitou-se n'elle; mas não viu coisa que lhe désse lembranças do fidalgo da Agra. Cuidou que o tinham enganado os lisboetas, e desandou para a hospedaria.

Novamente informado, resolveu esperar que o morgado entrasse ás dez horas, consoante o costume.

Sentou-se á porta do pateo.

Viu entrar um empavesado sujeito retorcendo as guias do bigode, com os olhos postos na lua atravez de uma luneta. Levou urbanamente a mão ao chapéo. Calisto, divertido pela acção civil do sujeito, ia corresponder, quando reconheceu o mestre-escola.

—Você aqui, Braz! disse elle.

O professor arregaçou as palpebras, e exclamou:

—Que vejo! a voz é a do fidalgo!

—Sou eu, não tenha duvida nenhuma.