XXIX
*O demonio em Caçarelhos*
Estava D. Theodora presidindo á limpeza do lagar em que se havia de fabricar o azeite, quando Braz Lobato, ainda empoado da jornada, assumou á porta, e chamou de parte a fidalga.
—O meu homem veiu!—exclamou ella.
—Faz favor de me ouvir aqui fóra, disse elle á puridade.—E, retirados ao escuro de um bosque de castanheiro, continuou:
—Seu marido está perdido, sr.^a morgada.
—Que me diz? bradou a pallida consorte.
—Estragou-se; d'alli ao inferno não tem mais que morrer.
—Credo! Então que é?
—Seu marido está tolhido! A mulher que o roubou á patria, e á esposa, e aos amigos, está lá n'uma serra, cercada de arvores, e de grades de ferro![21] Dizem que é a viuva de um general, e bonita como os serafins. Eu ainda a enxerguei pelo braço do fidalgo; ia vestida de branco, e parecia uma estrella.