No merito de Julio Diniz faz os descontos que o snr. Ramalho lhe incutiu. Conhece os Fidalgos de casa nourisca, e a Morgadinka dos Canariaes. Tenciona fallar de Soares de Posses, poeta portuense, cuja elegia do sepulchro, diz ella, se canta nas ruas. Exalta o snr. T. Braga que escreveu a Visáo das tempes, e As tempos tades sanoras, a «Historia do direitor portuguez», e os «Tracos geraes da philosophia positivia». Não se sabe se quer dizer Traços ou Trancos; talvez seja Tratos, ou mais provavelmente Trapos, se não fôr cousa peor. Seja o que fôr, pertence á philosophia positivia.
Conta que elle foi typographo em Coimbra para pagar os estudos. Não havia de gastar muito se pagou o que sabe. Diz que o snr. Braga é «philosopho, mathematico, astronomo, physico, chimico, biologista e anthropologista»—o que se demonstra nos Tracos acima.
Consta-me que o snr. Chardron consente que este opusculo seja trasladado a francez e hespanhol. Suspeita-se que a Allemanha e o Reino-Unido pensam em o traduzir com uma grande sêde de idéas. Pois, se isto assim é, como não póde deixar de ser, bom será que lá fóra se leia em linguagem conhecida uma opinião ingenua a respeito do escriptor moderno mais consciencioso de Portugal, como a princeza, baseada em anthropologia e assás biologica, qualificou o snr. Theophilo. De si proprio dizia elle com paspalhona philaucia no Ath[ae]neum de Londres, Revista do anno de 1878:
«Actualmente a philosophia positiva conta muitos admiradores em Portugal, e os novos espiritos disciplinados por ella vão conhecendo com grande clareza de que trabalhos este povo precisa para progredir.
N'este espirito acabam de sahir á luz os dous primeiros fasciculos d'uma Historia Universal, que a imprensa portugueza tem considerado como uma renovação dos estudos historicos em Portugal; a noção positiva da historia e o esboço da historia dos egypcios estão a par dos (muito pardos) modernos trabalhos da archeologia prehistorica e egitilogica».
É o que pensa de si o egitilogico snr. Theophilo. Já lhe não basta o elogio mutuo. O oraculo, quando os catechumenos de cá o não incensam, trata elle de salvar na Inglaterra a reputação da critica portugueza, escrevendo que a imprensa lhe considera as farfalharias uma renovação dos estudos historicos em Portugal. Ridiculo até á compaixão!
Os livros do snr. Theophilo são uma balburdia, retraços de sciencia apanhados a dente, mal mascados, um cerebro atrapalhado como armazem de adeleiro, golfos do bôlo não esmoido, cousas apocalypticas, muito desatadas, em prosa deslavada, derreada, enxarciada de gallicismos, cahotica, apontoado enxacôco de retalhinhos apanhados á tôa n'uma canastra de apontamentos baralhados e atirados para o prélo. Toda a farragem do snr. Braga é isto, creiam-me os Pisões e a snr.^a Rattazzi. A cabeça tôa-lhe a vazio, em competencia com a da sua admiradora. Todo elle é uma bexiga de gazes maus; quando a apertam, faz-se mister, como para o portugaison, apertar o citado appendice.
Diz que o snr. Luciano Cordeiro é um dramaturgo original: parece que a originalidade do snr. Luciano Cordeiro está em não ter escripto drama algum.
Reflexionando conspicuamente sobre a nossa deploravel instrucção publica, sahe-lhe de molde contar que nós, os portuguezes, a um brazileiro que passa chamamos macaca. Que o brazileiro vai passando, e nós dizemos: É una macaca.
Não é tanto assim; não se lhe desfigura o sexo. Se a princeza, ao passar, ouviu dizer: é una macaca, isso não era com o brazileiro.