Almeida parecia querer dizer alguma coisa que se lhe não moldava á expressão. Aquelle vacillar, e olhar d'um para outro rosto, o começar e recomeçar da phrase, terminou por esta abrupta pergunta á mãe de Fernando:

—Minha senhora, quer ter a delicadeza de offerecer a sua casa a uma dama, que veio em minha companhia, e me está lá fóra esperando na carruagem?

—É sua irmã, senhor Almeida?—perguntou a velha.

—Não tem irmã—disse Fernando.—Será sua esposa. Queres surprehender-me com a tua noiva? é hespanhola?

—Não é noiva—tornou o secretario—é irmã.

—Irmã!—redarguiu Fernando com espanto.

—Sim, irmã, porque tu és meu irmão.

—Como?!—exclamou impetuosamente Fernando.

—Vá, vá!—volveu Almeida—vá, minha senhora, offerecer a sua casa á sua filha Paulina, que vem aqui pedir-lhe a mão de seu filho!

—Fernando já tinha corrido a escada abaixo; mas, a meia descida, parou, olhou para si, e viu-se n'aquelle traje. Hesitou instantes, e disse: