[CONCLUSÃO]

Fernando Gomes não pedia explicações de sua felicidade a Hypolito de Almeida, nem a Paulina de Briteiros.

Aquellas alegrias tinham ainda a vaga desconnexão d'um sonho.

Os enlevos do presente não pedia ao passado a sua razão de existencia.

Os paes, e as irmãs de Fernando, pallidas e melancholicas meninas, tão na madrugada da vida desgraçadas, pareciam estar agradecendo a Paulina o bem que fazia a seu irmão, unico amparo d'ellas.

Almeida, quando pôde falar, sem desdizer da eloquencia das lagrimas da bem-aventurada familia, disse gravemente o seguinte:

—Fernando, eu já te vi de joelhos aos pés d'esta senhora; mas não te ouvi pedir perdão...

—Ah! exclamou Paulina, apertando ao seio Fernando para que has de tu ajoelhar-te? Não quero, meu querido amigo. A mais desgraçada não era eu!... Eu sabia que havia de encontrar-te, Fernando; tu é que não esperavas mais ver-me. Eras incomparavelmente mais atormentado que eu...

—Mas, atalhou Almeida, vossa excellencia dá-me licença de expôr o relatorio conciso... (o sizo, n'estes relatorios d'amores, é extraordinaria coisa...)

Fernando e Paulina sorriram com o secretario, que proseguiu: