Pouco depois foi annunciado Fernando Gomes, e logo conduzido á sala em que já estavam as damas da primeira jerarchia toscana; e, entre tantas e tão perigrinas, as nossas angelicaes portuguezas, honrando mais a terra de Camões, que quantos diplomatas nos andam lá por fóra engrandecendo.

Bartholo de Briteiros fitou os olhos no portuguez, e lá entre si disse: «Não conheço: isto é homem ordinario.»

—Tem aqui um patricio—disse o principe a Fernando.—É emigrado, e pae das duas meninas, que o senhor além vê, que parecem madonas. Ditosas revoluções as que obrigam a sair do seu ninho as formosuras que Deus faz para que todo o mundo as veja! O senhor de Briteiros é um pae ditoso, que se revê nos seus dois cherubins, dignos de Florença mais que de Lisboa. Os modelos que Raphael e Ticiano adivinharam, justo é que vivam em Italia, que é o céo das artes e das maravilhas. Não conhecia o senhor de Briteiros?

—Não, senhor—respondeu Fernando.

—De onde é o cavalheiro?—perguntou Bartholo.

—Sou de Lisboa.

—Talvez que, se me disser o nome de seu pae, eu possa conhecer a sua familia.

—Vossa excellencia não conhece de certo o nome de meu pae. Sou filho de um homem do povo.

—De onde saem os reis do genio—ajuntou Jeronymo Bonaparte.

Bartholo fez um gesto insignificativo com a cabeça, e disse, passados minutos: