—Veio de Portugal ha muito tempo?
—Ha vinte e tres mezes.
—Como estão as cousas por lá? Quem governa a canalha?
—Governa-se ella, presumo eu—disse Fernando.
O principe sorriu e murmurou:
—A resposta é um livro completo. A canalha governa-se a si em Portugal...
—Em Roma no reinado dos Cezares e no Baixo Imperio, e em toda a parte onde as nacionalidades se dissolvem—accrescentou Fernando.
—Diz muito bem!—acudiu Briteiros—Portugal está em dissolução. O senhor é necessariamente realista!
—Não, senhor. Fui soldado nas linhas do Porto. Pugnei a favor da liberdade, synonimo de humanidade. Servi-me a mim, servindo as classes abatidas pelo privilegio. Se me enganei, a culpa não foi minha.
—Mas enganou-se...—atalhou Bartholo com má cara—A canalha é que reina.