—Mas com gravata, luva branca, espada, chapeu de plumas, e arminhos—ajuntou Fernando Gomes.

—E isso é bom?—redarguiu o fidalgo.

—É bom como lição, como experiencia...

—E depois? quando se quizerem emendar, era uma vez Portugal...

—Seremos hespanhoes, inglezes, ou turcos, mas com juizo—disse Fernando.

—Ahi está o patriotismo dos malhados—exclamou Briteiros.

—Basta de politica—interveio o principe de Monfort, a quem destoara a violencia da ultima phrase do ex-ministro da Alçada.

Fernando ficou pensativo a um canto do salão, meditando no appellido Briteiros. Sabia de cór os nomes dos signatarios do accordão que enforcou os academicos. Não lhe era extranho o feio aspecto d'aquelle homem. Devia ser elle: ouvira em Lisboa dizer que o mais façanhudo dos algozes vivia em Florença, com grande luxo, e segura posse de seus bens na patria. Odiou-o; não poude mais fital-o em rosto. Pensava em sair da sala, quando Jeronymo Bonaparte lhe disse:

—Venha ver as suas lindas patricias, que desejam conhecer o portuguez... Mas tome tento em não argumentar com o pae. O senhor de Briteiros é contumaz inimigo do povo e da liberdade. Cá entre os meus hospedes francezes é conhecido por Luiz XI. O homem é um apologista das gaiolas de ferro para uso das avesinhas que cantam a liberdade. Detesta Lamartine, que escreveu contra a pena de morte, e defende que a arvore da liberdade deve ser cortada, torada, serrada e afeiçoada á maneira de forcas. Tem de bom que salga as suas theses com muita inepcia: gente emigrada não póde desprezar estes perrexis do riso, por isso o senhor de Briteiros é muito procurado. Agora vamos ver que duas flores saíram d'aquelle bravio matagal.

Approximou-se o principe de Eugenia e Paulina.