Assentavam os cotovellos no peitoril do balcão de marmore, e alli se quedavam como duas rolas, a contemplar o portuguez, que as cortejara, e parecia te-las logo esquecido. Não ousava elle fita-las segunda vez! Remirava-as por entre os grupos: e o espaço aereo d'entre quatro cabeças era a suprema ambição do moço, a entre-aberta do céo nas visões de um santo anachoreta.
Algumas noites as filhas de Bartholo de Briteiros viram Fernando no palacio Orlandini.
—Que terá elle que nos não procura?!—dizia Paulina a sua irmã—Mas repara que não dá preferencia a ninguem!
—É tão triste aquelle homem! Serão assim todos em Portugal?—dizia Eugenia.
—Faz-me pena aquella tristeza! acudiu Paulina.
N'outra noite a compassiva filha do fidalgo disse á irmã:
—Chamemo-lo, sim? não parecerá mal?
—Não; pois que mal é chamarmos o nosso patricio?
Eugenia fez signal a um francez, que não era principe, nem duque, nem se quer especieiro rico: era um pintor, um amigo querido de Bonaparte.
—Senhor Leopoldo Roberto—disse ella—conhece aquelle portuguez que está falando com a princeza Carlota?