Queremos agora vêr como procede o portuguez.
A poesia do mysterio está aguada. Descerraram-se d'entre as nevoas as duas estrellas que devem approximar-se ou repellir-se. A constellação é mais de esperar, quando os prenuncios são d'esta ordem.
Tenha-se em seus brios, Fernando Gomes! Portuguezes são pouco dados a beberem trago a trago uma prosaica morte em ideaes mysterios! Costumâmos abrir o coração e despejar á flux quanto lá ha. Se nos desdenham, a dignidade propria nos rehabilita. Se nos acolhem, damos pelo commum excellentes maridos, carinhosos paes, e preciosos jarretas na velhice.
Romances d'amor, que desandam em morte de tuberculos moraes, não pegam cá. Isto é terra de Hespanha e o céo de Italia, como diz o mais poeta dos portuguezes, o dulcissimo Castilho. Ama-se como na Italia, e entendia-se como em Hespanha. Quem quer saber o que é amar em Italia, leia Byron em Veneza, e Henry Beile em todos os seus romances, e peculiarmente na Physiologia do amor. Eu gosto de indicar as fontes limpas, para que me não attribuam aguas sujas, nem acoimem o romance de hoje em dia de pêco e ôco de conhecimentos uteis.
Ora vamos lá ao conto, que está a meada a desencadilhar-se.
Fernando Gomes venceu o seu pejo, e voltou dos jardins ao salão. Um francez, desconhecido d'elle, perguntou-lhe se era o portuguez Fernando.
—Sou o portuguez Fernando—disse o moço.
—As suas patricias encarregaram-me de perguntar a Leopoldo Roberto se o senhor sahira; Leopoldo Roberto não sei onde está: porém, como encontro o senhor, creio que lhe dou prazer communicando-lhe directamente os cuidados das senhoras de Briteiros.
Fernando agradeceu affectuosamente a urbanidade do francez, e convisinhou das meninas, a tempo que chegava Bartholo.
—Patricio e amigo—disse este a Fernando—não fuja da gente. Amigos, amigos, politica á parte.