Ao cabo de tres semanas de hospedagem regalada, disse o marquez a Bartholo:

—Ora, primo e amigo, é tempo de continuar a minha missão, que interrompi por tres semanas. Bem sabes que a politica me não deixa ser das minhas vontades. Preciso de ir a Inglaterra em serviço do rei e da nossa causa. Tu, como rico em toda a parte do mundo, não queres participar dos trabalhos lentos da restauração: fazes bem, primo Briteiros: eu é que não posso libertar-me d'esta missão diplomatica. Espera-me o Saraiva em Londres, e o rei em Berlim, no espaço de quarenta dias. Aqui tens a razão da minha saída.

—Pois vae, primo—disse Bartholo—mas logo que te desempenhes d'essa missão, volta a viver comnosco em Florença.

—Não prometto.

—Não promettes, marquez? Pois assim nos pagas a boa vontade com que te convido e o muito affecto das meninas, que te desejam comnosco?!

—Se ellas me desejam—tornou o primo com intencional sorriso—isso é que resta demonstrar, primo Bartholo...

—Pois que! duvidas?

—D'uma, duvido; da outra tenho quasi a evidencia que me deseja vêr pelas costas.

—Ora essa! qual d'ellas?

—Permitte que não vamos adiante n'esta penosa conversação, primo... Evitemos desgostos communs. Tanto soffrerias tu, como eu tenho soffrido...