—Póde não apparecer, minha senhora, e não ha motivo para que vossa excellencia o considere descuidado, covarde, ou traidor.

—Então que eu hei de fazer?!—tornou Eugenia, pondo as mãos com dilacerante angustia.

—Quer vossa excellencia seguir sua irmã, e esperar em Portugal que eu a avise do destino do conde?

—Não lembres á sr.ª D. Eugenia um destino impossivel—disse Fernando Gomes.—Eu não vou para Portugal.

—Como?! não vaes para Portugal?

—Não fujo—replicou Fernando—e, quando fugisse, não iria levar a meu pae a noticia do nome que deixo em Madrid.

—Pois se ninguem te sabe aqui o nome?

—Sabe-o a minha consciencia.

—Pois foge para França—recalcitrou Almeida—ou para a Italia, ou para onde quizeres.

—Não fujo; e perdoa-me, Paulina... Nós não podemos fugir. Teu pae vae receber de minha mão os brilhantes de sua mulher e de sua filha; tu entras espontaneamente n'um convento; de lá requeres dispensa do consentimento de teu pae: sairás de Madrid com honestidade, e eu com honra. É impossivel ser feliz, e dar-te felicidade, se faltarem estas condições á nossa união. Isto é irrevogavel, meu amigo. Por delicadeza e compaixão não discutas comigo. Temo que este anjo suspeite da minha dedicação, se tu me condemnares pela fraqueza das minhas apprehensões.