—Imponho-me o dever de não julgar ninguem pelos teus olhos. Tu és uma raridade, um excentrico, uma cousa com geitos de pessoa. Erras quantos juizos fazes. Eu hei de sondar o conde. Póde ser que tudo se consiga sem processo judicial.

O secretario procurou o conde. Fallou amplamente de Fernando Gomes, e das suas injustiças ao caracter de Paulina. O conde mostrou sympathisar com o caracter do portuguez, e disse:

—Eu fallarei a meu sogro.

E falou de modo que as suas ultimas palavras summariam o elogio que se lhe deve:

—O homem, cuja mão eu aperto com sincera satisfação de quem sabe prezar a virtude, é Fernando Gomes. Peço encarecidamente a mão de minha cunhada para este tão modesto como honrado mancebo. Condescenda, meu sogro, para eu poder dar-lhe o nome de provado amigo.

Bartholo de Briteiros respondeu umas palavras oscillantes, que nenhuma resolução significavam. O conde saiu maguado d'esta conferencia, e disse á cunhada:

—Se Paulina quizer casar com Fernando, tem de adoptar meios extraordinarios. Requeira o deposito, que a familia do ministro francez presta-lhe sua casa.

Paulina respondeu:

—Era preciso que Fernando ao menos me enganasse, para eu acceitar o seu conselho. Fernando, quando me escreve, nem ao menos diz que me ama.

—Ama com a mais segura das paixões: a paixão que mata com infernal lentidão.