—Porque não?! Se a tua saude depender d'isso!…
—A minha saude depende do contrario. Aqui viverei ou morrerei.
—Não é tanto assim, Thereza—replicou Thadeu com simulada brandura—Se eu entender que estes ares são nocivos á tua saude, has de ir, porque é obrigação minha conduzir e corrigir a tua má sina.
—Está corrigida, meu pae. A morte emenda todos os erros da vida.
—Bem sei: mas eu quero-te viva, e portanto recobra forças para o caminho. Logo que tiveres meio dia de jornada, verás como a saude volta como por milagre.
—Não vou, meu pae.
—Não vaes?!—exclamou irritado o velho, lançando ás grades as mãos trementes de ira.
—Separam-nos esses ferros a que meu pae se encosta, e para sempre nos separam.
—E as leis? cuidas tu que eu não tenho direitos legitimos para te obrigar a sahir do convento? Não sabes que tens apenas dezoito annos?
—Sei que tenho dezoito annos; as leis não sei quaes são, nem me incommoda a minha ignorancia. Se póde ser que mão violenta venha arrancar-me d'aqui, convença-se meu pae de que essa mão ha de encontrar um cadaver. Depois o que quizerem de mim. Em quanto, porém, eu podér dizer que não vou, juro-lhe que não vou, meu pae.