—Bemdito seja Deus!—exclamou Simão.
—Amen—accrescentou o ferrador—Então que arranjo é este de casa? Que breca de tarimba é esta?! Quer-se aqui uma cama de gente, e alguma coisa em que um christão se possa sentar.
—Isto assim está excellente.
—Bem vejo… E de barriga? como vamos nós de barriga?
—Ainda tenho dinheiro, meu amigo.
—Ha de ter muito, não tem duvida: mas eu tenho mais, e v. s.^a tem ordem franca. Veja lá esse papel.
Simão leu uma carta de D. Rita Preciosa, escripta ao ferrador, em que o authorisava a soccorrer seu filho com as necessarias despezas, promptificando-se a pagar todas as ordens que lhe fossem apresentadas com a sua assignatura.
—É justo—disse Simão, restituindo a carta—porque eu devo ter uma legitima.
—Então já vê que não tem mais que pedir por bôca. Eu vou comprar-lhe arranjos…
—Abra-me o seu nobre coração para outro serviço mais valioso—atalhou o prêso.