—Diga lá, fidalgo.
Simão pediu-lhe a entrega de uma carta em Monchique a Thereza de
Albuquerque.
—O berzabum parece-me que as arma!—disse o ferrador—Venha de lá a carta. O pae d'ella está cá, já sabia?
—Não.
—Pois está; e, se o diabo o traz á minha beira, não sei se lhe darei com a cabeça n'uma esquina. Já me lembrou de o esperar no caminho, e pendural-o pelo gasnete no galho d'um sobreiro… A carta tem resposta?
—Se lh'a derem, meu bom amigo.
Chegou o ferrador a Monehique, a tempo que um official de justiça, dois medicos, e Thadeu de Albuquerque entravam no páteo do convento.
Fallou o aguazil á prelada, exigindo em nome do juiz de fóra, que dois medicos entrassem no convento a examinar a doente D. Thereza Clementina de Albuquerque, a requerimento de seu pae.
Perguntou a prelada aos medicos se elles tinham a necessaria licença ecclesiastica para entrarem em Monchique. Á resposta negativa redarguiu a abbadessa que as portas do convento não se abriam. Disseram os medicos de Thadeu de Albuquerque que era aquelle o estylo dos mosteiros, e não houve que redarguir á rigorosa prelada.
Sahiram, e o ferrador só então reflectiu no modo de entregar a carta, A primeira ideia pareceu-lhe a melhor. Chegou ao ralo, e disse: