Voltou pelo Minho Manoel Botelho, e chegou com a dama ao Porto quinze dias depois que Simão entrára no carcere.
Já n'outro ponto deixamos dito que nunca os dois irmãos se deram nem estimaram; mas o infortunio de Simão remia as culpas do genio fatal que o orphanára de pae e mãe, e só da irmã Rita lhe deixára uma lembrança saudosa.
Foi Manoel á cadêa, e abrindo os braços ao irmão, teve um glacial acolhimento.
Perguntou-lhe Manoel a historia do seu desastre.
—Consta do processo—respondeu Simão.
—E tem esperanças de liberdade?—replicou Manoel.
—Não penso n'isso.
—Eu pouco posso offerecer-lhe, porque vou para casa forçado pela falta de recursos; mas, se precisa de roupa, repartirei comsigo da minha.
—Não preciso nada. Esmolas só as recebo d'aquella mulher.
Já Manoel tinha reparado em Marianna, e da belleza da moça inferira conclusões para formar falsos juizos.