—Tu acreditas sinceramente no arrependimento de teu primo?

—Oh! sim, meu pai—se apressou em responder Valentina.

—Queira Deus que te não enganes.

Um outro dia acordou d'uma pequena sesta, que se tinha seguido ao jantar, gritando, como se continuasse uma conversa começada:

—Ah! se Roberto estivesse arrependido realmente, como tu o suppões, com que prazer e alegria........

Não terminou a phrase, mas a expressão benevola da physionomia de Emilio da Cunha indicou a Valentina o complemento da idéa.

Isto foi objecto para uma ultima carta a Roberto, a que elle respondeu, e fechou-se a correspondencia.

Uma manhã Emilio da Cunha achava-se com Valentina em uma pequena, mas elegante sala, que deitava sobre o jardim—por que elles tinham deixado a sua pobre morada, trocando-a por outra mais decente—Emilio da Cunha sentado junto d'uma mesa, sobre a qual se achava uma magnifica jarra de flôres, olhava sorrindo para Valentina, que, de pé, junto d'um açafate em que estavam dous pombinhos, reprehendia, acariciando-o, um d'elles:

—Eis-te aqui, meu bello fugitivo—lhe dizia ella—pensavas que era só voltar para te ser concedido o perdão, depois de me teres feito soffrer com a tua ausencia e ingratidão? Muito bem; visto que o teu regresso prova um arrependimento sincero, perdôo com prazer; não é assim, paisinho—acrescentou ella com voz meiga e levantando os lindos olhos com uma expressão de candura para Emilio da Cunha—que se devem receber os filhos prodigos, que regressam arrependidos e contrictos?

Emilio da Cunha não deu uma palavra, mas rolou-lhe uma lagrima sobre a face.