O pobre moço tremia quando viu que era procurado. A sua primeira idéa foi fugir da sala, e não duvidamos crêr que fugiria, se Pires lhe não trava do braço, dizendo:

—Olha lá como lhe fallas: a mulher tem espirito, e é um genio.

Isto foi peior.

—O meu amigo Jorge Coelho que eu tenho a honra de apresentar á exc.ma snr.ª Dona...

Pires estacou. Silvina sorriu-se. Jorge corou, baixando os olhos.

—Não sabe o meu nome? isso não importa disse a dama.—Eu me apresento. O meu nome é Silvina. Tenho a gloria de ser tambem aldeã. Nenhum dos tres póde rir dos outros. Então o snr. Jorge não dança?

—Não, minha senhora, eu não sei dançar—disse Jorge com infantil ingenuidade.

—Não sabe, porque não ama a dança, não é assim?

—Em minha casa ninguem aprendeu a dançar. Minha mãi foi educada n'um convento, e de lá sahiu para ser esposa, e governar sua casa n'uma terra onde nunca se deram bailes. Eu sahi da minha aldéa ha menos d'um anno, e tenho consumido todo o meu tempo no estudo...

Estava Silvina gosando sem motejal-a a simplicidade de Jorge, ao passo que Pires lamentava as pueris historias do seu acanhado amigo. Como quizesse salval-o, o imaginoso academico interrompeu-o com não sabemos que espirituosa semsaboria, que Silvina atalhou logo: