—Lérias! o snr. Pitta de Lucena chama a isto lerias!—acudiu Pires—Então que quer o senhor?

—Queremos que esse amigo dê uma satisfação ao outro a quem elle chamou bebado hoje.

—Mas, primo Tinoco—disse o do Matto-grosso—bem sabes que o primo Christovão não propõe, nem aceitaria desafio, a quem não tiver nascimento.

—Ficamos agora sabendo que este cavalheiro é de familia de bom sangue...

—Eu não sei de que sangue é a minha familia—atalhou Jorge serenamente.—O meu amigo Pires não o sabe melhor que eu, e vv. exc.as hão-de ter a bondade de dizer ao snr. morgado de Santa Eufemia que a côr do nosso sangue lá a veremos no campo, quando elle quizer.

—Nomeie os seus padrinhos, para nos entendermos com elles—disse Egas.

—Um serei eu, se derem licença—disse a voz de um homem, que entrou de subito no quarto.

—Meu tio!—exclamou Jorge, beijando-lhe a mão.

Era, com effeito, o padre João Coelho.

Leonardo Pires e os outros olharam com veneração para a figura sublime do velho, que trajava rigorosamente as vestes de sacerdote. Jorge baixara os olhos, em quanto o padre, com as palpebras humidas, e as mãos convulsas, fitava e comprimia ao seio o sobrinho. Passados instantes, disse compassadamente: