Jorge cahiu extenuado n'uma cadeira: a orla roixa das palpebras fez-se negra; apanharam-se-lhe as faces, como se a doença, em poucos minutos, progredisse mezes. D. Antonia vinha chamal-o, e encontrou-o assim, com a carta na mão tremula.

—Que tens, meu filho?—clamou ella ajoelhando diante d'elle, e abraçando-o.

—Nada, minha mãi, é fraqueza... Não chore, por piedade, não chore, que eu estou bem.

E, erguendo-se com vacillante esforço, foi para a mesa. Forcejou por comer; mas as lagrimas cahiam-lhe das faces no prato, e a violencia não conseguia desentalar-lhe a garganta.

—Que é isto?—disse o egresso.

—Foi uma carta...—respondeu D. Antonia.

—Não é nada, meu tio. Recebi uma carta que me fez mal. A impressão gasta-se, e eu d'aqui a pouco estou bom. Agora pedia licença para me erguer da mesa, e dar um passeio no jardim.

—Vai—disse o padre.

—Eu vou comtigo, meu filho—acudiu a mãi levantando-se.

—Não vai, mana; deixe-o ir sosinho.