—Com que armas, filha?
—Com que armas?... Com as da resignação... A maldade, a guerra que o mundo faz a fracas mulheres como eu, só com a paciencia se sustenta.
—E Mendonça aconselhou-te a resignação?—disse a freira com suspeitoso intento.
—Elle? tomara o infeliz quem lhe ensinasse o remedio das suas afflicções... Nenhum de nós é forte; somos ambos por igual desgraçados e fracos para luctar com as perfidias que nos fazem, ou que nos fizeram. O remedio unico é gemer até á morte, dar á sociedade o regalo de nos esmagar, soffrer-lhe na garganta o pé com evangelica submissão. Entende-o assim, minha tia?
—Que modo de perguntar é esse, Carlota?! Eu estranho-te...
—Estranha-me!? Pois queria que eu voltasse da grade mais afflicta do que fui?
—Não; esperava que as tuas palavras fossem mais sinceras, filha.
—Pois não são?!
—Ha ironia n'esse elogio que fazes á tua paciencia. O coração de uma mulher não é assim. Concilias-te muito depressa com o sacrificio. A virtude não se alcança assim tão rapida, e essa paciencia, que te impões, é a virtude suprema. Não, Carlota, não. Tu... Tremo dizer-t'o...
—Diga, minha tia.