As freiras olhavam a pobresinha com mais piedade que nunca; animavam-a como se quizessem ter parte em seu coração para a salvarem pela amizade, quando houvessem de revelar-lhe a mortal noticia. Carlota estranhava os melancolicos olhares, os beijos e caricias de todas, a condolencia terna com que, as mais afastadas da sua convivencia, a vinham espairecer ao seu quarto.
Norberto de Meirelles procurara sua filha, n'esses dias em que a noticia vogava. Soror Rufina estava de cama; recebera primeiro o recado do pae de Carlota. Esta preparava-se para ir á grade, quando a anciada tia lhe disse:
—Vou-te aconselhar a desobediencia, minha sobrinha, e Deus me perdôe por sua immensa bondade. Não vás á grade. Eu tomo sobre mim a responsabilidade de mais um peccado.
E, voltando-se para a criada, mandou dizer a Norberto que sua filha não podia fallar-lhe; mas esperasse alguns minutos, que alguem iria em logar d'ella.
—E por que é isso, minha tia?!—perguntou a sobrinha admirada.
—Porque sim, minha filha. Receio que elle te venha fallar...—continuou balbuciante—em cousas desagradaveis.
E, sentando-se no leito, a febricitante religiosa, ajudada de Carlota, vestiu-se, e foi á grade encostada a Dorothea.
—Então a pequena que tem?—perguntou Norberto.
—Está doente.
—Já lhe chegou a noticia! Que tenha paciencia. Deus tudo faz pelo melhor...