Nenhuma das hypotheses.

No dia seguinte ao da intencionada fuga, o amante de Carlota Angela foi visitado por um individuo, que disse ser natural do Porto, e ir liquidar uma herança no Rio de Janeiro.

Mendonça acolheu-o com alegria, suppondo-o portador de carta de Carlota. Disse o portuense que viera alli dar-lhe uma nova, talvez desagradavel ao principio, mas estimavel, quando a reflexão desvanecesse os effeitos da má noticia.

—Que é?—atalhou Mendonça—Estou preparado para o que for.

—Eu conheço Norberto de Meirelles, sou negociante como elle, e sei todos os passos da sua vida. Soube que v. s.ª lhe pedira a filha em casamento; soube que lh'a prometteu, para evitar que ella saísse judicialmente; e tambem soube que elle roeu a corda, como costuma em muitos outros contractos, quando o doutor Sampayo lhe participou de Lisboa que v. s.ª era mandado para aqui. É isto verdade, ou não?

—É, pelo menos assim o creio; mas antes de mais nada, queira responder-me a uma pergunta, para eu o ouvir com socego: D. Carlota vive?

—Vive, e vive feliz, pois não vive!

—Feliz!... diz o senhor...

—Eu que o digo é porque o sei... Mulheres, meu amigo, mulheres! V. s.ª espanta-se? Bem se vê que está ainda muito verde, e não conhece o mundo... Longe da vista, longe do coração. As raparigas d'agora são como as ventoinhas. Palavriado, e mais palavriado; novellas e mais novellas; crendices e papagaices; e de tino e juizo nem para mandar cantar um cego.

—Eu não entendo essa mistura de anexins com que o senhor está retardando a nova que me traz. Tem a bondade de se explicar com a possivel clareza?