—Pois muito lhe agradecerei o desengano, quando o senhor me disser o engano.

—Pois não adivinhou ainda? O senhor é esperto, segundo ouvi dizer, e já ha muito que devia entender que a tal menina não o amava.

—Entendi agora—disse serenamente Mendonça com habil artificio.—Mas, como prova v. s.ª isso?

—Como provo?

—Sim, como prova? Eu creio tanto no amor de Carlota Angela, quanto reputo v. s.ª um calumniador emquanto me não provar essa espantosa novidade.

—As provas, n'este caso...

—São difficeis, bem o sei; mas o senhor ha de poder dizer-me: Carlota não o ama, porque deu esta ou aquella prova de o não amar.

—A prova acho eu que é bastante dizer-lhe que ella, a esta hora, está casada com outro.

—Essa é realmente a suprema das provas possiveis; mas, se lhe não custa, conte-me os promenores d'esse casamento. Quem se diz tão intimamente informado da vida de Norberto de Meirelles deve elucidar melhor as cousas. Quem é o noivo de Carlota?

—O noivo...—tartamudeou o homem, enfiando de novo.