—Cartas! Quaes?! Eu não recebi cartas algumas de Carlota.

—Se as não recebeste, podes lel-as agora, porque eu sou o portador de duas duzias d'ellas, que fazem chorar as pedras.

—Como te vieram essas cartas á mão? Dá-m'as.

—Lá vamos; mas primeiro quero que me expliques como estas cartas foram á mão do tal corregedor enforcado.

—Isso é uma historia longa e atroz. Dá-me as cartas, que eu tudo te explicarei depois.

—Pois sim: ahi vão as cartas da Carlotinha, mas tenho no outro bolso outras tantas escriptas á tua dama.

—Por quem?

—Por um nosso condiscipulo do collegio militar, que, segundo se deprehende do ardor da linguagem, deve amal-a como um louco.

—Quem é elle?

—Um terrivel paralta, que saíu da patria deixando por lá nos mosteiros noviças apaixonadas.