—Se pódes, vamos, minha filha!—respondeu Maria das Dôres, pensando que o afasta'-la d'alli era um passo para salva'-la.
Despediu-se das meninas e do alcaide. A todos, e a cada um disse:
—Até á eternidade!
Entrou n'uma liteira, com sua mãe.{226}
Perguntou-lhe Maria das Dôres que levava ella enrolado debaixo do braço.
—É o sangue de meu marido—respondeu.
Tinha dito o alcaide a D. Maria:
—Excite-lhe as lagrimas, se a quer salvar. Leia-lhe as cartas que um amigo do marido lhe escreveu do Porto. Quer-se um abalo energico, seja qual fôr. Accenda-lhe o furor do odio ao assassino. Para esse eu lhe darei um espectaculo no caminho.
Ao segundo dia de jornada, D. Maria das Dôres ouviu ler as cartas, concludentes para a certeza de ser ordenada a morte pelo conde de Monção.
—Eu já li essas cartas—disse Maria.—Sei tudo.