Entravam na provincia de Valhadolid, quando viram ante si uma escolta de soldados equestres, com dois presos manietados. Parou a escolta n'uma chan, e parou a liteira, embargado o caminho.

Maria via tudo indifferente.

Chegou o alcaide á portinhola da liteira, e disse:

—Sr.ª D. Maria Henriqueta, eu vingo Filippe tanto quanto posso.

Approximou-se do commandante da escolta, e exclamou:

—Póde seguir com os seus soldados. Os presos ficam entregues á minha guarda. Maria olhava e parecia não compreender.

Os cavallarias ladearam a liteira e passaram ávante, dando o passo a soldados de pé, que alinharam em frente da liteira.{227}

—Justiça de Hespanha!—disse o alcaide.—De joelhos, assassinos de Filippe Osorio! Ha-de pesar-vos na consciencia mais o ferro que o ouro do conde de Monção. Depressa, em quanto eu não ponho a tormentos estes infames; depressa, rapazes!

Arderam doze escorvas; o estrondo fez levemente tremer Maria Henriqueta; o vento rijo sacudiu depressa uma nuvem de fumo, e o estertor dos cadaveres passára com o fumo da polvora.

O alcaide avisinhou-se da liteira, e disse com risonho aspecto: